O trabalho deve ser divertido?

Parece consenso geral que o trabalho deve assumir alguns aspetos do lazer, e que as empresas deveriam fazer sua parte para ser encarado como algo divertido. Mas nem todo o mundo compartilha dessa opinião.

Se chama ‘trabalho’ por alguma razão

Guy Kawasaki, famoso especialista em marketing que esteve ligado às vendas do primeiro Macintosh da Apple (em 1984), discorda. E sua opinião é levada em conta, pois ele construiu uma carreira de sucesso depois da Apple.

A palavra “trabalho” vem do latim “tripalium”, que era um instrumento de punição para determinados criminosos. “Tripalium” passou a designar algo negativo ou desagradável. Ora, de acordo com Kawasaki, no trabalho o objetivo não é alguém se divertir.

Em um célebre artigo publicado no New York Times, Kawasaki relembra o exemplo dos seus avós que não gostavam de dirigir táxis e de faxina – seus empregos, no Japão. O fato de não gostarem desse “tripalium” levou eles a passar aos filhos a necessidade de se esforçarem para “virar a mesa” e irem mais longe. O pai de Kawasaki passou a ele a mesma mensagem.

O mais importante, no trabalho, é alcançar resultados. Conseguir a perfeição. Bater a concorrência. Aí, com os frutos do sucesso, quem quiser pode finalmente ir se divertir.

Outro exemplo dado por Kawasaki vem de seu papo com um funcionário da Apple. A empresa do malogrado Steve Jobs virou uma organização grande, pesada e burocrática, onde implementar ideias novas não é tão fácil assim. Sempre tem um determinado regulamento no caminho. Por que esse funcionário, criativo e dedicado, não saía para outro lugar, perguntou Kawasaki. E o funcionário respondeu que não saía pois ali poderia desenvolver o trabalho mais valioso e significativo de sua carreira.

Será que a diversão é inimiga da perfeição e do trabalho árduo? Ou será que Kawasaki quer alertar para a escalação de prioridades? A opinião é sua!